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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Comidinhas 3


Se comer já era uma aventura nos outros países que visitamos, aqui se tornou um desafio. Tudo o que já experimentamos até agora é ruim. A sorte é que o Ramon também não está gostando, pois como eu tenho fama de fresca com comida, o meu testemunho não tem muito valor. O pior é que até o café da manhã é difícil de engolir (tem pepino e tomate!!!!) e não dá para encher o bucho e tentar enganar a fome até a hora do almoço. Estamos de jejum forçado, afinal é Ramadã!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Comidinhas 2

Boa parte do sofrimento do Ramon se deve à intérprete que ele arranjou. Nunca tive paciência para decorar nada na vida. Ai, quando nas aulas de inglês ou de francês chegava na parte de decorarmos os nomes das comidas, a minha mente já começava a se distrair. Decorava alguns na véspera da prova e já esquecia tudo no dia seguinte. O problema é que quando a gente viaja, sente falta do domínio desse tipo de vocabulário para poder escolher bem uma refeição.

Ai, quando chega a hora de almoçarmos, uma parte de mim fica super feliz, pois é o momento que o viajante do deserto bota o camelo para beber água e repousar. Nessas horas eu aproveito para ir ao banheiro, sentar um pouco, comer e descansar. Por outro lado, tenho de me virar para interpretar o cardápio e ainda ajudar o Ramon a escolher o prato dele. Como sou fresca com comida, faço como ele disse: escolho uma massa ou algo bem comum, com margem de erro mínima. O problema é que ele inventa de experimentar e eu não dou conta de interpretar o nome dos pratos. Tem alguns garçons ou garçonetes que ajudam, mas alguns não têm a menor paciência. Ai, quando chegou o tal do tartare, me senti super mal por ter sido responsável pela gororoba que ele teve de engolir.

O pior é que além do prato ser meio nojento, ele disse que a batata frita tinha dormido no óleo e que já estava com saudades das batatas que o meu irmão frita aos domingos lá em casa. Ou seja, não deu nem para encher o bucho com as fritas e deixar carne gosmenta de lado. Comeu tudinho, como a mamãe nos ensina.

Meus pais bem que tentaram me ensinar a comer de tudo, sem frescura, mas não foi dessa vez. Quem sabe em uma outra vida? Além disso, eles insistem muito para que eu coma mais frutas e saladas (para os nosso pais a gente nunca cresce, né?). Ai, como a minha consciência anda bastante pesada, pois desde que chegamos na Europa só tenho comido carboidratos, proteínas e açúcares regados a coca-cola (não necessariamente nessa ordem), resolvi substituir a batata-frita por uma salada na última vez que comemos. Resultado: arrependimento. Resolvi tirar uma foto da tal da salada que eles tiveram o descaramento de me servir, pois eu sei que todo mundo ia pensar que eu estava exagerando. Voilá:


Sim, essa coisa meio verde era a minha salada. Vieram três miolos de alface acompanhados de um molhinho. Alguém no Brasil come miolo de alface e ainda chama isso de salada? Eu pensava que isso era usado para fazer lavagem para dar aos porcos. Putz!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Comidinhas

O turista tem duas opções para comer: ou procura o óbvio (quando é possível encontrar) ou escolhe um prato típico. A Vaninha prefere não arriscar: se o prato vier acompanhado de uma foto no cardápio, ótimo, se não, é melhor garantir a refeição com massas e sanduíches. Eu, por outro lado, gosto é de experimentar os pratos de cada local. Como não trouxemos nenhum guia para nos ajudar na escolha das comidas, cada refeição pode ocasionar surpresas, às vezes não muito agradáveis.

Como vocês podem imaginar, em Portugal a culinária é muito boa. Nos fartamos de comer o bacalhau tão famoso. Essa alegria acabou quando chegamos a Londres. Primeiro porque o prato típico deles é batata frita com peixe frito. Como queria novas experiências, pedíamos sempre algum prato deles e víamos no que ia dar. Eles abusam na pimenta e nas frituras, e nós bebíamos o que dava para aliviar o ardido na boca.

Uma situação engraçada ocorreu em um dia em que estávamos cheios de fome e no meio de uma visita a uma igreja enorme. Para não termos de sair e voltar depois, resolvemos almoçar em um restaurante que ficava lá dentro mesmo. O problema era que o restaurante era chique e caro. A Vaninha perguntou para a garçonete sobre um prato no qual a carne principal era Lamb e a garçonete depois de muito tentar explicar fez um “béééé. Aproveitamos a boa vontade dela e perguntamos também se dava para dividir o prato. Ela respondeu que sim. Bem, dividir dava, só faltou ela nos informar que não ia nem tampar o buraco do dente. Tivemos que comer devagar para enganar o estômago e o bolso, porque acabou saindo caro e só adiou a fome.

Já na França, estamos com mais dificuldade para escolhermos os pratos. Todas as vezes que nos deparamos com um cardápio é um Deus nos acuda. Somos sabedores que a culinária francesa é uma das mais premiadas do mundo, mas, vou te contar uma coisa, é difícil pedir. Você sabe o que é um raclette, ou um tartiflette, ou o kik ar fars, ou quem sabe um bouillabaisse, ou por fim o cassoulet? Além disso, os franceses sempre deixam as informações pela metade e as características dos pratos não são faladas no menu. Eles chamam as comidas por nomes nunca dantes imaginados e você escolhe torcendo para dar certo.

No primeiro dia em Paris, fomos a um restaurante a beira do Sena. Enquanto eu pedi um tal de tartare, a Vaninha, mais tradicional, ficou com um risoto. Quando chegaram os pratos, a surpresa: o meu prato era um bolo arrumadinho (igual arroz do giraffas) de carne crua com umas salsinhas e umas batatas fritas pra lá de passadas. Quem quiser dar uma espiadinha na culinária requintada veja a foto:

Por outro lado, quando acertamos na escolha do prato, acabamos por comer muito pouco. Os franceses devem ser o povo que menos engorda no mundo. A comida é cheia de pratos: entrada, prato principal, sobremesa, café... Só que tudo em pequenas porções. Ontem comi um prato de vitela composto de dois pedacinhos bem pequenininhos de carne acompanhado de uns fiapos de uma vagem magricela, que eu comi ontem. Estava muito bom, mas em 2 horas estava com fome de novo.

O que será que nos espera na Alemanha e na Turquia?